Educação à Distância: Entre mitos e desafios

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Today’s problems come from yesterday’s “solutions”.
Peter Senge (1990)

Alguns entusiastas da Educação à Distância (EAD) têm defendido que esta é a solução para os problemas do ensino tradicional. Embora adepta da EAD – que, acredito, enriquecerá em muito nossos processos de construção do conhecimento -, vejo que esta nova modalidade traz com ela também novas contradições e desafios. Neste artigo enumero alguns dos mitos criados pelos defensores da EAD, numa tentativa de distinguir as contribuições positivas e os desafios trazidos pelas novas mídias. Além disso, na última parte, proponho uma definição para o instructional designer, profissional-chave nos percursos educacionais que envolvem tecnologia.

Primeiro Mito: A EAD é para todos?

No Brasil, aprender ainda é algo restrito a poucos. Além da exclusão escolar motivada por problemas sócio-econômicos e pela falta de uma pedagogia adequada a cada contexto, ainda lidamos com falta de vagas nas escolas, há dificuldades para conciliar estudo e trabalho, e quem mora longe dos centros urbanos não tem acesso a instituições de maior prestígio e reconhecimento acadêmico.
Com a EAD são vencidas muitas dessas barreiras – por exemplo, a questão da escala. Em vez de construir novos edifícios e contratar professores para os alunos excedentes, no ensino à distância os custos são reduzidos, pois bastam alguns equipamentos em 2 kidhouses, lares ou tele-postos para ampliar o acesso ao conhecimento (muitos governos da América Latina têm utilizado este dado como o principal argumento para comprovar uma suposta democratização do ensino, hipoteticamente ocorrida em suas gestões).
Com a EAD, são justamente superadas as distâncias, e pessoas de qualquer ponto do país podem freqüentar os cursos que lhes parecerem de maior qualidade. No entanto, é inegável que, se são vencidas as distâncias que nos separavam do conhecimento, ainda existe o risco de se acirrar o abismo entre as classes mais poderosas e os excluídos – os sem-terra, sem-teto, sem-escola, são agora também os sem-modem, pelo menos enquanto não se define uma política mais eficaz de democratização do acesso às tecnologias da comunicação e da informação no país. Ferreiro abordou esse tema de forma exemplar no número de março desta revista, e por isso não vou me estender nela.

Segundo Mito: A EAD é personalizada?

A escola, ao menos como concebido no paradigma tradicional de ensino, é o espaço da homogeneização: tudo para todos, ao mesmo tempo: a mesma aula, a mesma data da prova, o mesmo conteúdo cobrado. Os exercícios de caligrafia, as práticas comuns, os uniformes e a monitoração sobre os comportamentos disciplinares marcam o cotidiano de uma instituição que se estruturou sobre um modelo único, um padrão desejável e legitimado socialmente. Os currículos escolares, analogamente, têm margens bem definidas, com conteúdos fixos, escolhidos pelos professores e orientadores antes mesmo de se conhecerem as turmas.
A EAD, em especial pela Internet, traz a provocação do currículo sem limites. Saberes até então excluídos invadem a cabeça dos estudantes e, de forma transgressora, os convidam a fazer novos links e a ousar abrir janelas que trazem luzes inusitadas para os ambientes educativos. Em vez de grades curriculares, um currículo em rede, marcado pela metamorfose, a hipertextualidade, a descentralização dos saberes. Conteúdos que fazem mais sentido, que se relacionam com outras coisas aprendidas e que são acessados conforme a pertinência, a necessidade e o interesse de cada um.
O desconforto típico do estudo – ficar sentado interminavelmente, ouvindo professores que expõem matérias ao longo de quatro horas por dia – é substituído pela comodidade de aprender diante do computador, da televisão, em salas de vídeo, podendo acessar livros, revistas, jornais e imagens com um clicar do mouse, em tempo real.
Também não é mais necessário o conceito tradicional de turma, como concebido na escola tradicional, quase sempre em função da faixa etária dos alunos – ou, nos piores casos, em função do gênero (meninos e meninas). Temos turmas flexíveis, que se reúnem de acordo com os interesses, constituindo-se como grupos autônomos, com listas de discussão e chats nos quais são debatidos assuntos diversos; comunidades virtuais que configuram o conceito de inteligência coletiva – segundo Lévy (1998), uma inteligência distribuída por toda parte, “incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva das competências”. Parcerias, pesquisas em conjunto, programas cooperativos, groupwares que produzem conhecimento e trocam idéias interconectados são algumas das múltiplas possibilidades que se abrem nessa modalidade flexível e aberta de educação interativa.
Até o problema do tempo é superado: não é preciso parar de estudar logo aquele conteúdo que estava agradando só porque “bateu o sinal”: a navegação continua sempre que se desejar. Quando um assunto não interessa, é possível navegar em outra direção, num percurso que é quase sempre pessoal1. Ao contrário do que ocorre nas salas de aula convencionais, a EAD vem trazer a possibilidade de respeito aos ritmos de cada um.
Mas há desafios: o baixo custo da EAD somente é alcançado através da escala: poucos professores para muitos estudantes conectados. Ora, volta o problema da massificação, e quem pode dizer que não teremos, de novo, o mesmo para todos, como no ensino tradicional, e ainda por cima sem a relação interpessoal mediando a aprendizagem? Com a rede que interliga cidades e países, caem as fronteiras, mas paradoxalmente afastam-se as pessoas: tanto o professor do aluno, como os próprios alunos, que às vezes sequer conhecem os colegas da “turma” – o que faz com que se perca uma importante parcela de afetividade, presente em qualquer processo de construção de conhecimento2.
O currículo sem margens pode implicar a desorientação dos alunos, perdidos em avalanches de informações, sem saber como selecionar o que é pertinente, sem trabalhar os dados e agir criativamente sobre os mesmos. O currículo hipertextual traz links imprevisíveis, muitas vezes carregados de conteúdos desaconselháveis para as faixas etárias dos estudantes, ou eticamente questionáveis. O conforto da navegação com diversas janelas abertas pelos milhares de bites informativos e a nova relação com o tempo trazem os riscos da dispersão e da falta de concentração. O respeito aos ritmos individuais ameaça a seriedade do estudo (alguns temem, por exemplo, o que pode ocorrer com aqueles alunos que só estudam sob pressão) – embora possamos questionar se a pressão de assistir às aulas presenciais teria, nesse aspecto, alguma eficácia.
Na Internet há liberdade de navegação; já na EAD, a camisa-de-força dos planos de curso escolares é muitas vezes substituída por ferramentas de ensino à distância que podem, se não forem customizadas de forma criativa, funcionar como novas grades, reproduzindo os esquemas e funcionando como paisagens previsíveis.
O conceito mais aberto de turma traz também a impossibilidade de se estabelecerem grupos muito duradouros de trabalho. O fato de se vincular a um grupo num espaço institucional se relaciona com a constituição da identidade dos sujeitos – haja vista os encontros anuais de ex-alunos, tradicionais em algumas escolas -, o que praticamente desaparece nos grupos virtuais3. Que novos sentimentos de pertença deverão ser formados, e através de que processos?

Terceiro Mito: A EAD traz um novo conceito de professor?

No ensino tradicional, temos o professor transmissor de conteúdos. Na EAD, este perfil é desnecessário. Já defendi (Ramal, 2000) que o computador substitui o que há de pior em nós, professores: a nossa pior aula, o lado repetitivo, burocrático e até acomodado da escola, pode ficar para o computador. Ele saberá transformar as exposições maçantes em aulas multimídia interativas, em hipertextos fascinantes, em telas coloridas e interfaces amigáveis. Então poderemos, finalmente, ficar com a melhor parte. Aquela para a qual não nos sobrava tempo, porque pensávamos que devíamos transmitir conhecimentos. Agora sim, está em nossas mãos a derrubada dos muros para fazer conexões com o mundo, a criação do espaço para a arte e a poesia, o tempo para o diálogo amigo, o trabalho cooperativo, a discussão coletiva, a partilha dos sentidos. Está em nossas mãos a escola mais feliz, feita por mestres e alunos que saibam, juntos, fazer do aprender não uma tarefa penosa, mas sim uma aventura.
Mas há desafios: muitos cursos à distância, procurando minimizar os custos, preferem esquecer os professores e utilizar exclusivamente a figura dos tutores ou dinamizadores, que entram em cena com o simples papel de animar ou mediar a discussão dos estudantes ou atuar como agendadores de tarefas. Isso retira a parte da perspectiva formativa que existe na relação professor-aluno. Como bem ensinou Vygotsky ao tratar da zona de desenvolvimento proximal, são necessários auxiliares externos que façam a mediação adequada entre alunos e conhecimentos. Sem um professor qualificado, como garantir os melhores percursos mentais e cognitivos na aprendizagem?

Quarto Mito: A EAD renova a educação tradicional?

Na escola tradicional, o professor trabalha isoladamente: a compreensão de trabalho interdisciplinar se limita às reuniões entre representantes das disciplinas escolares.
A avaliação é restrita ao final do processo; é punitiva, massificadora, excludente, instrumento de pressão e controle para o professor, motivo pelo qual se constitui como um momento de tensão e angústia para os estudantes4. Na EAD, têm se observado mudanças: a avaliação se dá ao longo dos processos; ela é diversificada, pois os ambientes de interação são variados, e há exercícios, chats, participação em videoconferências, listas de discussão; ela é mais centrada no indivíduo, e a prática da auto-avaliação, especialmente quando se lida com adultos com certa maturidade, é a melhor opção para estudantes interessados em verificar o próprio rendimento.

Além disso, surge com a EAD a constituição de equipes multidisciplinares para desenvolver processos educacionais. Programadores, webdesigners, comunicadores, técnicos de informática passam a fazer parte da tarefa pedagógica, inaugurando novas concepções de pesquisa e trazendo novas formas de olhar a realidade, o que pode gerar férteis discussões epistemológicas.
Apesar disso, também aqui há certos riscos. Embora as equipes de EAD sejam multidisciplinares, muitas vezes são constituídas apenas por técnicos, sem profissionais especializados no campo pedagógico, o que ocasiona que as aplicações sejam desenvolvidas por quem conhece pouco sobre o mecanismo da aprendizagem nãopresencial e sobre a maneira pela qual se processa a construção do conhecimento a partir das novas mídias. Existe a tendência de que os profissionais da informática reproduzam, nos aplicativos que criam, o estilo de educação que eles mesmos receberam, na sua época de estudantes (fenômeno compreensível se estudado a partir da noção de habitus, de Bourdieu – disposições que nos fazem sentir, fazer e pensar de certa maneira, interiorizadas e incorporadas, em virtude de nossa trajetória social). Os resultados se refletem em conteúdos pesados, difíceis de serem lidos e assimilados, e num modelo transmissivo de educação, no qual a interatividade é reduzida ao clicar do mouse e o aluno assume, como no ensino tradicional, um papel passivo. Um tipo de educação que simplesmente reproduz o modelo que tanto criticamos na escola.
A maior liberdade nos processos de avaliação também traz desafios. O ensino à distância, na época dos cursos por correspondência, tinha neste ponto o seu calcanhar de Aquiles. Era difícil a credibilidade pública de cursos nos quais as provas se realizavam em casa, com consulta e sem a vigilância do professor.
Agora o problema da credibilidade, queiramos ou não, ainda se faz presente. A legitimidade das iniciativas de EAD terá que ser conquistada através de estratégias inteligentes, que envolverão testes on line, acompanhamento personalizado e novos conceitos de avaliação, nas quais passem a ser medidas, mais do que a memória e a assimilação de conteúdos, as competências cognitivas, humanas e profissionais desenvolvidas ao longo do processo.

Quinto mito: A EAD coloca em risco a leitura e escrita?

Na pesquisa que realizei, percebi que os alunos não gostam muito de ler e escrever na escola, pois são quase sempre obrigados a fazer isso: escrevem redações para um professor que está preocupado em detectar seus erros gramaticais; lêem livros que eles não escolheram e cujo sentido se relaciona pouco com suas vidas.
Já na Internet, vemos um renascimento das práticas de leitura e escrita: crianças e jovens conectados lêem e escrevem todos os dias, e com prazer, porque acessam coisas que lhes interessam e dialogam por escrito num monitor que, mais do que uma máquina, anuncia pessoas do outro lado da linha.
A tendência é a de que se formem leitores mais autônomos, mais protagonistas dos próprios percursos, com maior capacidade para compreender os textos e relacioná-los com intertextos. A navegação hipertextual tem muito da polifonia idealizada por Bakhtin (1997) – são muitas vozes, olhares diversos, espaço para todas as leituras e interpretações possíveis.
Entretanto, há novos desafios, ligados à produção e à recepção dos sentidos. Que impactos provocam os signos comunicacionais sobre os usuários? Como são veiculadas as ideologias nos novos discursos? Como se constrói a negociação das diversas vozes num diálogo que, hoje, é cada vez mais plural e polifônico? Se assumirmos, com Vygotsky e Bakhtin, que a consciência se constitui na interação com os demais e que a mediação privilegiada nesse processo é o discurso, devemos analisar que novos conflitos sociais, políticos e interpessoais se travam nessa arena virtual das contradições, que é o discurso digital. Sem falar dos problemas implicados na introdução das línguas estrangeiras, que acompanham as tecnologias, carregando consigo um conjunto de valores e interesses que pertencem a outra cultura.

Sexto Mito: É fácil fazer EAD?

Com toda a complexidade já descrita na análise dos mitos anteriores, ainda há quem pense (e são muitos!) que para se fazer um curso à distância basta escrever os conteúdos que eram transmitidos em palestras ou aulas oralmente e cadastrá-los numa ferramenta visualmente interessante e funcional.
A EAD se processa num contexto de novos sujeitos, resultado das mudanças nas relações entre trabalho, cidadania e aprendizagem. Dominar as novas linguagens, analisar dados e situações, compreender o entorno e atuar sobre ele, ser um receptor crítico e ativo dos meios de comunicação, localizar a informação e utilizá-la criativamente e locomover-se bem em grupos de trabalho e produção de saber se tornam saberes estratégicos para a vida cidadã no contexto democrático. Ser um cidadão crítico e consciente, capaz de participar de seu meio e de agir sobre as estruturas injustas, implica agora desenvolver as diversas potencialidades mentais e afetivas para saber atuar como um pesquisador da realidade, tendo capacidade de aprender permanentemente, a fim de encontrar as próprias respostas (individuais ou coletivas) para as situações novas que vão exigir transmutação de conhecimentos, aplicação e desenvolvimento de competências e habilidades.
Mas como se aprende hoje? Neste momento instaura-se um terceiro pólo comunicacional, em relação ao qual se podem notar desestabilizações dos modos tradicionais de gestão do conhecimento. A informática transforma o conhecimento em algo não material, flexível, móvel, fluido e indefinido, trazendo consigo processos provocadores de rupturas: a interatividade, a manipulação de dados, a correlação dos conhecimentos através de nós de rede, a plurivocidade, o apagamento das fronteiras rígidas entre texto-margens e autores-leitores. Os suportes digitais, as redes, os hipertextos são, a partir de agora, as tecnologias intelectuais de que a humanidade passará a se valer para aprender, para gerar informação, ler, interpretar a realidade e transformá-la. A memória coletiva se torna ainda mais dinâmica: da subjetividade restrita de um único narrador, e das bibliotecas de livros e documentos, passamos à rede de computadores, na qual a memória social vai sendo construída bite a bite, não por um autor, mas por uma infinidade de vozes e olhares, sem a rigidez e o caráter definitivo e estático da imprensa, mas com a dinamicidade da própria cultura humana, continuamente modificada e atualizada por milhares de pessoas. Os conteúdos dessa rede são unidos por links, relacionados entre si, problematizando a própria fragmentação; entrelaçados, plásticos, móveis e flexíveis, jamais estão parados, mas seu movimento se dá pela troca, pelo diálogo, pela conversa virtual que vence fronteiras espaço-temporais e disciplinares, transformando a relação humana com o conhecimento e com a cultura.
Esse é o contexto da EAD, e justamente por sua complexidade, não é fácil ensinar nem aprender à distância.
Nesse sentido, é crucial a figura que surge hoje de um novo profissional: o instructional designer. Trata-se de uma profissão muito recente e não há grande produção teórica sobre a mesma. Minha definição provisória é a de um profissional que, nos processos de educação à distância ou de acesso ao conhecimento através de conexão em redes, é responsável por analisar as necessidades, projetar os caminhos possíveis de navegação para que o usuário construa ativamente o conhecimento, selecionando para isso os meios tecnológicos mais adequados, concebendo atividades pedagógicas e avaliando permanentemente a sua utilização. Trata-se de um estrategista do conhecimento: alguém que vai procurar retirar da EAD suas potencialidades mais positivas, ao mesmo tempo em que evita os erros que porventura possam ser cometidos, quando não se observa a outra face da novidade e se fica ofuscado pelos mitos.
O instructional designer começa a estar cada vez mais presente nas equipes multidisciplinares de construção de cursos à distância. Ele não é a solução de todos os problemas: mas é uma figura-chave para que os melhores objetivos educacionais sejam atingidos tanto na EAD como em quaisquer outras formas de acesso ao conhecimento.
O que certamente estará garantido nos processos de educação à distância com um instructional design adequado e criativo? Interatividade, proporcionando ao usuário/estudante a possibilidade de assumir um papel ativo na sua formação, delineando progressivamente seu perfil como autor da própria ação, mais do que simples navegador; a construção do conhecimento, à luz das teorias pedagógicas contemporâneas e dos conceitos fundamentais da Psicologia Cognitiva, que incluem motivação, gradação de etapas cognitivas de acordo com o nível de prontidão, segundo mapas de conhecimento; estimulação das múltiplas inteligências através das múltiplas linguagens e acompanhamento personalizado; dinamização, oferecendo estratégias para superar os limites da mera instrução à distância isolada, e trabalhando com os conceitos de turma, parcerias, groupware, interação e inteligência coletiva; inovação, superando, através dos recursos da Internet, o paradigma tradicional de ensino-aprendizagem e propondo novos modelos e conceitos de educação; e hipertextualidade, trabalhando com os conteúdos dos diversos cursos como elementos de uma rede de conhecimentos, interligada e móvel, que o estudante é estimulado a ampliar permanentemente.
Com interesses nesse sentido e com a presença de profissionais qualificados da área educacional na equipes de criação e aplicação de cursos, a EAD terá, seguramente, mais chances de se constituir como um processo educativo realmente eficaz e proveitoso para o estudante, superando de forma consistente os problemas que muitas vezes os mitos consolidados não permitem detectar.

Legenda
  • 1 – Na minha pesquisa de Doutorado, uma das alunas entrevistadas comentava: “Chego numa aula e o professor está falando uma coisa que não serve de nada pra mim, eu falo: “Eu tenho que ouvir essa história por mais uma hora porque senão vou levar falta”. E às vezes tem matérias que os conteúdos são repetidos, aí chega uma professora e começa a apresentar aquilo como uma grande novidade, desde o zero, para aquele aluno que nunca viu. Mas é impossível que um professor na frente de trinta alunos possa estar o tempo todo falando o que os trinta precisam ouvir naquele momento”.
  • 2 – Vale fazer a ressalva de que tampouco podemos idealizar a relação presencial escolar. Ao contrário do sonho freireano de um dialogismo, muitas vezes na sala de aula tradicional pode se conhecer apenas o lado autoritário e as posturas dogmáticas de muitos professores, que terminam por afastar os alunos do prazer de aprender. Alguns cursos presenciais conseguem, nesse sentido, ser mais “à distância” do que estes mesmos, tal a barreira que o professor estabelece na relação afetiva com os estudantes.
  • 3 – Apesar disso, saídas interessantes estão sendo encontradas na EAD. Participei de um curso em que houve formatura virtual. Foram “ouvidos” os discursos do paraninfo, do orador da turma, os agradecimentos… Como de costume numa conversa virtual, todos os falantes eram interrompidos pelos ouvintes, numa espécie de interlocução inusitada e, inegavelmente, revolucionária e subversora dos formalismos acadêmicos tradicionais.
  • 4 – Vale a pena ler, sobre avaliação, o texto de KLEIN (1998).
Referências Bibliográficas
  • BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1997.
  • KLEIN, Luiz Fernando. “Alegria de aprender, alegria de avaliar” in OSOWSKI, Cecilia (org.). Provocações da Sala de Aula. São Paulo: Loyola, 1998.
  • LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998.
  • RAMAL, Andrea Cecilia. “O computador vai substituir o professor?” in Revista Aulas e Cursos (UOL), em http://www.uol.com.br/aulasecursos, março de 2000.
  • SENGE, Peter. Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization. Londres: Century, 1990.

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